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Lumiar: Escala, diversidade e responsabilidade

Autarcas Liberais
20 de fevereiro de 2026 por
Lumiar: Escala, diversidade e responsabilidade
Carlos Marques Figueira

O Lumiar é uma das maiores e mais antigas freguesias de Lisboa. Com mais de 46 mil residentes, situada na zona norte da cidade, combina áreas residenciais consolidadas, com zonas de expansão mais recente, como a Alta de Lisboa, integrando realidades sociais distintas. É uma freguesia marcada por espaços verdes de referência, como a bem conhecida e emblemática Quinta das Conchas e dos Lilases, com a sua zona de mata, por infraestruturas modernas e por uma população diversa, exigente e participativa. Governar o Lumiar é gerir uma pequena cidade dentro da cidade.

Foi neste contexto que iniciei funções no Executivo, no final de outubro. Encontrei uma estrutura de com responsabilidades significativas sobre uma população numerosa, mas com fragilidades evidentes ao nível da organização interna: núcleos pouco definidos, funções e responsabilidades difusas, ausência de procedimentos formalizados e processos de trabalho excessivamente dependentes de práticas informais, com grande fluxo de informação a circular por correio eletrónico, sem repositórios estruturados e sem uma lógica integrada de gestão da informação. Apesar da existência de um software de gestão autárquica para algumas operações específicas, grande parte da atividade assenta ainda em ficheiros de Excel, alguns tecnicamente frágeis, e documentos Word dispersos.

Ao mesmo tempo, a entrada em funções coincidiu com a necessidade de preparar parte do orçamento, sem que tivesse ainda sido possível conhecer em profundidade as necessidades estruturais desta organização. Trata-se de um orçamento fortemente afeto à manutenção da componente de recursos humanos, concentrada em três grandes áreas: higiene urbana, educação e estrutura administrativa. Uma realidade que exige rigor na gestão e clareza nas prioridades do orçamento restante.

Assumi a atribuição de dois pelouros de gestão interna: Modernização da Gestão Administrativa e Gestão e Conservação de Equipamentos e Instalações, e um pelouro externo: Desenvolvimento Económico. Desde o primeiro momento, ficou claro que o maior desafio do mandato não seria apenas executar, mas estruturar.

Modernização da Gestão Administrativa: criar bases sólidas

No domínio da modernização administrativa, defini como prioridade a modelação e otimização dos processos. Não é possível exigir resultados diferentes com métodos iguais aos do passado. A conversão progressiva dos principais procedimentos para fluxos digitais, a eliminação gradual do papel, a normalização documental e a criação de circuitos claros de validação são passos essenciais para garantir rastreabilidade, rapidez de resposta e transparência.

A revisão sistemática dos processos internos, a criação de manuais claros e atualizados e a implementação de uma plataforma de informação de gestão e workflow são instrumentos estruturantes. A estes juntam-se dashboards de gestão com indicadores em tempo real, de tempos médios de resposta, à execução orçamental e à produtividade administrativa. O objetivo é que a decisão política assente em dados concretos ao longo do mandato.

A automação de tarefas repetitivas, a integração entre sistemas administrativos, financeiros e de recursos humanos, a melhoria da experiência digital do cidadão no contato com a Junta e a definição de regras claras de governação de dados, conformidade com regulamentos e referenciais de gestão, fazem parte de uma visão de administração moderna, eficiente e responsável.

Neste contexto, apresentei também a proposta de certificação ISO 9001 da Junta de Freguesia do Lumiar. Mais do que um selo, trata-se de um modelo de gestão orientado a processos, com responsabilidades definidas, controlo documental e cultura de melhoria contínua. A sua implementação permitirá normalizar decisões, reduzir erros, facilitar auditorias e reforçar a confiança dos cidadãos.

Para sustentar esta visão, propus a criação do NED — Núcleo de Eficiência Digital, uma estrutura dedicada à gestão integrada dos sistemas de informação, apoio aos utilizadores e liderança da transformação digital. A digitalização não pode depender de iniciativas dispersas; exige coordenação, competências e responsabilidade claras.

Com áreas dedicadas a sistemas e infraestruturas, apoio ao utilizador e inovação, o NED permitirá garantir disponibilidade tecnológica, reforçar a segurança da informação e acelerar a desmaterialização de processos.

Gestão de Equipamentos: passar da reação ao planeamento

No pelouro de Gestão e Conservação de Equipamentos e Instalações, o desafio é igualmente estrutural. A ausência de um inventário digital integral dos ativos e de planos de manutenção preventiva conduz inevitavelmente a uma gestão reativa, mais dispendiosa e menos eficiente.

A criação de um inventário informatizado e georreferenciado, a implementação de planos de manutenção planeada, a adoção de uma plataforma de registo operacional com ordens de trabalho rastreáveis e a definição de indicadores de desempenho, como tempo médio de resolução, custos por instalação ou de manutenção preventiva concluída, permitirão aumentar a durabilidade dos ativos e otimizar recursos.

A normalização da relação com fornecedores, com definição e monitorização de SLA e indicadores de desempenho, reforça o controlo de custos e a transparência.

Paralelamente, pretende-se desenvolver um programa de modernização e requalificação de instalações, com foco na eficiência energética, acessibilidade e segurança, a apresentar à Câmara Municipal de Lisboa, como proposta de contratos de delegação de competências.

Desenvolvimento Económico: proximidade, inovação e território

No plano externo, o desenvolvimento económico exige proximidade e visão estratégica. O Lumiar é uma Freguesia de coroa da cidade, essencialmente constituído por zonas residenciais, com comércio local e sem atratividade turística.

A dinamização da aplicação “Lumiar Comigo” como repescagem do “Cartão Lumiar Contigo”, herdado do anterior mandato, pretende ir muito mais além e transportar a ação e comunicação, uma porta digital complementar entre cidadãos, Junta e tecido económico é uma aposta central. Uma app que integre a comunicação institucional, participação cívica, serviços administrativos digitais, e dinamização do comércio local.

A revitalização do Mercado do Lumiar, a consolidação da Praça Verde como polo de lazer e restauração, a promoção de um Espaço de Inovação e Empreendedorismo no Lagar de São Vicente, em Telheiras, a criação de uma bolsa de espaços vagos que possam ser utilizados em dinamização económica  e o reforço do diálogo com comerciantes e empresários são iniciativas que visam dinamizar o território, atrair investimento, apoiar os estudantes das Universidades com sede no Lumiar e mesmo nos territórios vizinhos e dinamizar o empreendedorismo.

A promoção do licenciamento equitativo, a articulação com entidades como a EMEL e forças de segurança e o acompanhamento próximo das dinâmicas económicas permitirão uma gestão mais justa e estratégica do espaço público.

A articulação com o pelouro da Cultura e do Desporto, é também uma peça chave para a atratividade do Lumiar, quer na retenção dos seus moradores com uma boa oferta de atividades dentro da Freguesia, quer como atrativo para cidadãos de fora da Freguesia.

Jornadas Estratégicas: governar com visão

Por fim, trouxe ao Executivo a proposta de realização de Jornadas Estratégicas trimestrais. A governação local não pode limitar-se à resposta imediata e à aprovação de propostas avulsas. É necessário um espaço próprio de reflexão estratégica, anterior à decisão formal, onde se alinhem prioridades, se definam objetivos mensuráveis e se articulem pelouros.

As Jornadas Estratégicas permitirão transformar o programa eleitoral em planos concretos, calendarizados e monitorizáveis, reforçando a coesão do Executivo e a qualidade da decisão política.

Os desafios do primeiro ano

Os primeiros três meses confirmaram aquilo que intuía: o maior desafio do mandato é estruturar para poder executar melhor. Modernizar processos, clarificar responsabilidades, criar instrumentos de gestão, digitalizar serviços e planear de forma estratégica não produzem manchetes imediatas, mas constroem bases sólidas para os quatro anos de mandato, deixando a Junta preparada para os desafios do presente e do futuro.

O primeiro ano será, por isso, um ano de fundação. Fundar métodos, fundar cultura organizacional, fundar instrumentos de controlo e planeamento. Só assim será possível garantir que cada euro do orçamento é bem aplicado, que cada decisão é fundamentada e que cada serviço prestado ao cidadão reflete uma Junta mais eficiente, transparente e preparada para o futuro.

O Lumiar tem escala, diversidade e potencial. O desafio é estar à altura dessa dimensão, com rigor, visão e responsabilidade.

Lumiar: Escala, diversidade e responsabilidade
Carlos Marques Figueira 20 de fevereiro de 2026
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