Porquê João?
Não costumo dissertar sobre política nacional, mas enquanto jovem português com aspirações de um futuro brilhante no meu país vejo-me obrigado a refletir sobre os méritos da candidatura do João Cotrim Figueiredo à Presidência da República. Não deixa, portanto, de ser irónico que o próprio tenha hesitado em candidatar-se em primeiro lugar — foi preciso refletir sobre o estado da Nação cujas aspirações têm sido constantemente castradas, especialmente entre os mais jovens, e aperceber-se que o leque de candidatos só oferecia desespero e estagnação para se colocar à frente. O que motiva o João a candidatar-se é o que motiva quem o apoia — a esperança no meio deste desespero, a audácia de aspirar algo melhor.
Começo por enumerar o que me preocupa em Portugal. É um exercício negativo, mas necessário para entender esta candidatura. Tivemos durante dez anos um "presidente dos afetos" — distante na prática mas sempre dando a sensação de omnipresença. Nestes dez anos, Portugal mudou muito: a extrema esquerda foi legitimada pelo seu apoio ao governo durante anos, a extrema direita foi legitimada pelo voto popular, a economia (como no resto da Europa) não consegue enfrentar os desafios do futuro e lá fora avizinham-se tempos de mais conflitos e instabilidade. O português comum vê-se nesta maré sem rumo. "Os meus filhos não vão viver tão bem quanto eu" é uma frase cada vez mais comum de se ouvir, aliada frequentemente ao clássico cinicismo político dos "políticos que são todos iguais".
Há um pingo de razão nesta última frase quando olhamos para quem se apresenta às eleições de 18 de janeiro. Marques Mendes, um reflexo do carreirismo político e da porta giratória do comentário nacional, oferece mais do mesmo sem inovação nem visão. António José Seguro, apesar de ser uma figura decente e respeitada ao centro-esquerda, apresenta-se castrado das suas qualidades e não se consegue afastar da estagnação mental e fraticídio do seu campo político. Gouveia e Melo, cujo pensamento político é fraco e incoerente com o seu potencial eleitorado (um apolítico voltado à esquerda a querer cativar a direita), apresenta-se como um candidato independente, valorizando o seu passado militar. Tenta convencer um país inteiro que não estava a jogar o jogo político enquanto servia a Nação, mas enquanto Chefe de Estado-Maior da Armada pouco se consegue dizer de positivo sobre a sua condução e resultados. A sua independência partidária, que insiste tanto insiste ser virtude, é aproveitamento básico da cultura cínica e de desconfiança de tudo o que é político (e acreditem que precisamos de políticos sérios, não de mais políticos que fingem não o ser). Por fim, temos o omni-candidato André Ventura: o pior do sistema, que se aproveita de diagnósticos certeiros (o seu sucesso não deixa de mostrar que é um bom leitor do que preocupa muitos portugueses) não para corrigir o rumo do país, mas para se cimentar enquanto novo líder e cara do sistema — é um candidato de divisão, não de visão, e tem como único objetivo chegar a alguma posição de poder para exacerbar os problemas que alimentam o seu sucesso e lá ficar.
No fundo, estes candidatos são candidatos de passado. Representam a estagnação a que o eleitor português se resignou. Não havendo alternativa a estes, teríamos de escolher entre: mais cinco a dez anos da mesma conduta saloia da presidência; uma presidência sem ambição e marcada por uma permanente guerra civil e crise de meia idade do campo político que a apoia; uma presidência apolítica e sem propósito, cimentada apenas na falsa perceção do valor do candidato; e uma presidência de divisão e entrave ao desenvolvimento do país, dedicada única e exclusivamente ao protagonismo do presidente como salvador de Portugal dos problemas que ele próprio alimentaria.
Temos, então, a candidatura do João como alternativa.
Passo a uma nota pessoal. Conheço o João desde que saí do PSD e me juntei à Iniciativa Liberal. Ele é reflexo do que mais aprecio desta mudança. É um homem ambicioso — não pela ambição em si mesma, mas pelo que dela se pode retirar para o futuro. É um homem genuinamente aberto ao debate e interessado nas pessoas — lembro-me de uma longa conversa que tive com ele, ainda era recém-chegado à IL, sobre o futuro da Europa, e ele ouviu e discutiu de par a par, não como nas minhas experiências partidárias anteriores onde falar com um "chefe" nestes termos era reservado única e exclusivamente às pessoas certas. Nunca foi o "senhor deputado", "senhor presidente", "senhor eurodeputado" — era sempre "tu" e "João", e nunca perdeu uma hipótese de falar com um perfeito desconhecido sobre algo novo.
O João insiste em trazer ao debate aqueles assuntos que em Portugal nunca chegam ao topo. Onde estamos daqui a cinco ou dez anos? O caminho da Europa está a ser feito — e nós, para onde caminhamos? Os jovens de hoje podem esperar que futuro? Que desafios globais é que estão a afetar Portugal? Num país onde a política é feita a curto prazo para fins eleitorais, o João é uma lufada de ar fresco que nos inspira não a mais do mesmo mas a ambicionar um futuro melhor.
Apelo que votem no João dia 18 de janeiro se estão fartos da política de estagnação a que Portugal se confinou durante as últimas décadas. As sondagens das últimas semanas podem apontar para o que parecem ser resultados baixos, mas peço, especialmente a quem as viveu, que se recordem das eleições de 1986, onde Mário Soares partiu em condições semelhantes com 8% e atrás dos candidatos mais próximos das suas ideias para uma eventual vitória. Aqui o potencial é maior: não há competição natural ao João — não há outro candidato que se afirme por uma mudança genuína e profunda do país. Levar o João à segunda volta (esta quase assegurada nestas eleições) é possível: basta não nos conformar-mos aos candidatos medíocres só porque "sabemos o que a casa gasta" ou aos candidatos perigosos só porque "estamos fartos do costume".
Nestas presidenciais votem pela positiva, por uma mudança séria e convicta, com substância e rigor. Vão além dos vossos vínculos o hábitos e apostem numa candidatura abrangente. Sejam de esquerda ou de direita, têm no João uma alternativa genuína e ambiciosa, de mudança, de aspiração por um futuro melhor, de incomformismo à condição a que nos sujeitamos sempre que vamos a votos e as escolhas parecem não importar porque o futuro parece triste e bruto.
Votem no João.