Pular para o conteúdo

Não estou Seguro desta aVentura

Opinião de Diogo Graça no Observador
23 de janeiro de 2026 por
Não estou Seguro desta aVentura
Diogo Graça

Não me identifico com nenhum dos dois candidatos que passaram à segunda volta e recuso-me a entrar no discurso que estamos a escolher entre a democracia ou outra coisa qualquer. Associar à política esta lógica de que temos sempre que ter uma opinião muito forte sobre todo e qualquer tema, ou que temos que apoiar incondicionalmente um qualquer candidato é, a meu ver, o desvirtuar do pensamento crítico e da oferta de novas soluções.

Para alguém que confiou o seu voto em João Cotrim de Figueiredo, acredito que possa ser difícil escolher um candidato para apoiar na segunda volta entre António José Seguro e André Ventura e por isso votar em branco é uma decisão legítima e que reflete o sentimento de orfandade política (sentimento esse que vimos existir aquando do crescimento da IL e do Chega e diminuição da abstenção).

Considerando a distância ideológica entre o liberalismo e os perfis dos dois candidatos, aqui estão 4 motivos que me faz considerar o voto em branco:

1. Rejeição do Estatismo vs. Populismo Económico

Para um eleitor que votou em João Cotrim de Figueiredo, nenhum dos candidatos oferece uma visão de Estado Mínimo, eficiente e com foco no futuro.

– António José Seguro representa a social-democracia tradicional e o peso do Estado na economia, na saúde e na educação, algo que colide com a agenda de privatizações e redução de impostos dos liberais.

– André Ventura, embora use retórica de direita, defende frequentemente medidas protecionistas ou intervenções estatais (como em pensões ou subsídios específicos) que os liberais consideram “populismo fiscal” irresponsável.

2. A Ausência de uma Agenda Reformista e visão para o País

Cotrim de Figueiredo pautou a sua candidatura pela necessidade de reformas estruturais profundas (sistema eleitoral, justiça, carga fiscal, tecnologia, futuro, ambição, etc).

– Seguro é visto como um “homem do sistema” que privilegia a estabilidade institucional em vez da rutura reformista.

– Ventura foca-se em reformas constitucionais de cariz autoritário ou punitivo (como a castração química, prisão perpétua ou a expulsão de imigrantes), que são opostas à matriz de liberdades individuais e garantias jurídicas defendidas pelos liberais.

3. Conflito com os Valores Éticos e Institucionais

O voto em branco pode ser uma forma de preservar a coerência moral:

– Votar em Ventura seria validar um estilo de política baseado no confronto e na estigmatização de minorias, algo que o liberalismo humanista rejeita.

– Votar em Seguro seria apoiar o regresso de uma hegemonia do PS (mesmo que numa ala diferente da de Pedro Nuno Santos), que os liberais culpam pela estagnação económica do país.

4. Protesto contra a Polarização Vazia

A segunda volta entre estes dois candidatos pode ser interpretada como uma escolha entre o “medo do radicalismo” (Seguro) e a “revolta contra o sistema” (Ventura).

– Para quem votou em Cotrim a política deve ser sobre dados, factos, eficiência, liberdade e progresso, não sobre guerras culturais ou clubismo partidário. O voto em branco sinaliza que nenhum dos candidatos apresentou propostas tecnicamente sólidas para o crescimento económico, desenvolvimento do país e resolução de problemas estruturais existentes há décadas.

Ao não escolher nenhum dos dois, o eleitor reforça que o espaço liberal não é um satélite da direita populista nem um aliado tático da esquerda moderada. Provando assim existir um espaço a ser explorado por um novo agente político (moderado) que, sabendo aproveitar bem os próximos anos, tem tudo para poder crescer mostrando coerência, ambição e vontade de resolver os problemas reais das pessoas.

Não estou Seguro desta aVentura
Diogo Graça 23 de janeiro de 2026
Partilhar este artigo
Etiquetas
Arquivo
Cotrim não tem perfil para Presidente. É por isso que vou votar nele!
Opinião de Pedro Albuquerque no Observador