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Cotrim não tem perfil para Presidente. É por isso que vou votar nele!

Opinião de Pedro Albuquerque no Observador
12 de janeiro de 2026 por
Cotrim não tem perfil para Presidente. É por isso que vou votar nele!
Pedro Albuquerque

O marasmo, aliado a uma certa politique (dos partidos ao comentariado na comunicação social), faz com que o cenário para o país seja pantanoso. O que me faz olhar para Cotrim.


O título deste artigo é paradoxal. Mas totalmente lógico. Passo a explicar:

O Presidente da República, nos termos constitucionais, tem poderes específicos, e deve ser alguém que, mais do que fazer política, deve ser um estadista, devendo conseguir manter-se mais discreto – não como figura cinzenta, mas mais como uma eminência bege – e servir como um pai para a nação.

Cotrim apresenta-se, na sua candidatura, como o Presidente que faz sonhar, que quer fazer o eleitor “imaginar” um país melhor. Ou seja, não quer ser neutro. Quer estimular o Governo, as instituições, a reformar, a pensar mais além. É, sem sombra de dúvida, mais colorido.

Em termos políticos, apesar de ter tido vários papéis (até como Presidente do Turismo de Portugal), Cotrim está longe de ser um político “de carreira” (facto que apenas pode ser comparado com Gouveia e Melo). É um homem que fez carreira no sector privado, e nunca dependeu de amizades políticas para ser nomeado.

É, por isso, um bicho estranho, no panorama dos candidatos, quase todos com vida política de décadas, desde juventudes partidárias, a cargos eleitos.

Não é, por isso, alguém que esteja assim tão por dentro de certos meandros (como Marques Mendes ou Seguro).

No fundo, a imagem do “avozinho”, do “senador”, que, com paciência e parcimónia, vai vigiando o Governo e tentando apaziguar os Deputados, não se encaixa minimante em Cotrim.

O perfil de militar que “põe ordem na casa”, e que está além dos partidos (na linha de Ramalho Eanes), também não.

Não é um constitucionalista, nem um académico, por isso também não lhe favorece essa autoridade.

Por fim, o perfil de líder partidário histórico, com conhecimento profundo das guerras políticas e das funções ministeriais (um Soares ou Cavaco Silva), muito menos.

Mas, sinceramente, estas “falhas” são relevantes?

Neste momento, temos um Primeiro-Ministro que ninguém (a começar pelo próprio) percebe como conseguiu ganhar as eleições, tem a capacidade de inspirar de uma anémona, e que gere a sua equipa seguindo o que eu chamo de “técnica Cabrita” – arranja um ministro como bode expiatório, que só faz falhas (nomeadamente de comunicação), e distrai o discurso político, deixando os outros Ministros livres do escrutínio mediático. Não apresenta reformas dignas desse nome. Não cria uma visão para o país. Não se posiciona internacionalmente (num momento em que isso é fundamental). Enfim, a alternativa era Pedro Nuno Santos… E Montenegro está, no fundo, a gerir como fez António Costa. À vista.

Como líder da oposição, temos um político hábil, que desperta paixões, e com a melhor retórica. Mas que, de políticas, além de uns soundbites populistas, é tão profundo como um discurso de tasca (aliás, até o respectivo linguajar rouba). Tem grande adesão, mas… Não tem nada de realmente diferente para oferecer. Caso chegue a PM, além de umas medidas penais, provavelmente vai ser tão reformista como Montenegro. E não faz sonhar (admitamos, “não ser o Bangladesh” não é propriamente aspiracional).

Dos outros partidos… lideranças insignificantes. Ninguém ali tem perfil para liderar um projecto que mobilize o país, ou sequer de conseguir ameaçar ser uma alternativa a Montenegro.

Ora, este marasmo, aliado a uma certa politique (dos partidos ao comentariado na comunicação social), faz com que o cenário para o país seja, no mínimo, pantanoso.

O que me faz olhar para Cotrim.

A primeira vez que prestei atenção a Cotrim, como muitos, foi quando assumiu a função de Deputado pela Iniciativa Liberal. Já acompanhava o partido (e votei nele…), na Presidência de Carlos Guimarães Pinto (que, após a fundação liderada por Miguel Ferreira da Silva, conseguiu dar um teor altamente disruptivo ao partido!). Fiquei curioso. Sem o perfil de Carlos Guimarães Pinto, poderia ter sido um aborrecimento. Ou, pior, um confirmar que este partido era mais um bando de loucos fora da caixa com ideias interessantes, mas não mais que isso (digamos, na linha do candidato Manuel João Vieira). Mas, Cotrim demonstrou que não, que a Iniciativa Liberal era um projecto disruptivo, sim, mas que conseguia ter uma posição institucional, que poderia ter pernas para andar.

Após esta observação, e entre presidenciais e autárquicas, juntei-me ao partido, confiante que mais do que um think thank, era um projecto político com futuro, e que representava um campo político que era “facção” noutros partidos: o liberalismo.

Cotrim liderou o projecto, fê-lo crescer de modo impressionante. Porque é pragmático, tem um carisma impressionante, e consegue fazer-nos acreditar. Mesmo não o tomando como o “amigalhaço” de todos, a verdade é que é alguém que tem uma visão e um posicionamento que inspiram quem com ele interage.

É, também, alguém que sabe quando deve ser agradável (diria mesmo, sedutor), e quando deve ser desagradável (mas sem nunca cair no mau gosto, ou na falta de educação).

É por isso que deve ser Presidente? Também!

Neste momento, o país precisa, rapidamente, de alguém que inspire. Faz parte do espírito português essa ânsia pelo sebastianismo. Mas a eleição de Cotrim não é o cavaleiro do nevoeiro, não!…

É algo bem mais fundamental: é a prova de que podemos sonhar com algo melhor (mesmo quem não partilhe dos ideais de Cotrim, reconhece-lhe mérito muito superior à média da classe política).

Que podemos fazer a diferença, ser cidadãos activos, e ter uma vida fora da política (ou seja, não ser o típico jotinha), e que, mesmo assim, qualquer um de nós pode almejar alcançar os mais altos cargos, porque os portugueses vão privilegiar as nossas capacidades face às meras ligações partidárias. No fundo, uma esperança na Democracia e na República.

Mas, mais importante do que tudo isto, Cotrim vai conseguir, como Presidente, trazer um novo fulgor institucional. Fa-lo-á com a sua experiência como negociador, mediando junto dos outros órgãos de soberania para conseguir consensos que permitam reformar o país (seguindo a lição de Tomasi de Lampedusa, incentivará mudança!). Representará Portugal no exterior com o seu perfil cosmopolita (e não com sabujice snob de outros), auxiliando o Governo junto das mais altas instâncias, de modo a garantir que as relações internacionais se tornem um verdadeiro motor de desenvolvimento para Portugal (aliás, como o foi nos melhores momentos da nossa História).

Cotrim, não tendo perfil presidencial, tem tudo para ser o melhor Presidente em 2026-2031.

O país precisa de mudança! Portugal anseia por um novo fulgor! A cidadania e a política estão desencantadas, as pessoas estão fartas dos mesmos discursos, e sonham com uma sociedade melhor, onde possam viver e florescer!

Imaginemos, por isso, um Portugal melhor, com Cotrim Presidente.


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