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A presunção de culpa

Opinião de Luís Nobre Lucas no Observador
23 de janeiro de 2026 por
A presunção de culpa
Luís Nobre Lucas

A defesa é impossível. Se diz tudo, está a tentar justificar o que fez. Se não diz nada, está a assumir culpa.


Quando perguntaram a Hitchcock qual era a melhor forma de matar alguém sem ser apanhado, este respondeu que era o atropelamento, uma vez que era muito difícil demonstrar que tinha sido intencional. A falsa acusação de assédio sexual é o equivalente ao atropelamento para o assassinato de caráter: incomprovável, indesmentível e absolutamente avassaladora na empatia que suscita na opinião pública. O primado da vítima apressa-se a esquecer que, em casos de falsa acusação, a vítima é o acusado. Este será sempre culpado até prova em contrário. E como a acusação dificilmente trata de factos demonstráveis, continuará a ser culpado no caso de ausência de prova. Será por isto provavelmente a forma mais eficaz de destruir a carreira (e a vida) de alguém.

A defesa é impossível. Se diz tudo, está a tentar justificar o que fez. Se não diz nada, está a assumir culpa. Se diz apenas o essencial, está a manipular, a sonegar informação ou a fugir às perguntas.

E a verdade? A verdade dificilmente mais alguém a conhecerá para além das duas pessoas envolvidas, acusador e acusado. Mas a verdade interessa pouco nestes casos. Se algum dia vier a ser demonstrada, o que é altamente improvável pelo exposto acima, não fará manchetes. Alguém sabe quem são Thomas Kennedy, Nora Wall ou Daniel Hubbard? Ninguém. O que interessa é a narrativa, a perceção, o momentum e a tinta que estes permitem vender. Ou, no campo de Maquiavel, os objetivos que permitem alcançar.


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Luís Nobre Lucas 23 de janeiro de 2026
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